Rápidas
19-02-2010 ////////
Jards Macalé
Documentário sobre um dos compositores mais queridos do Brasil chega aos cinemas no próximo mês
Chega aos cinemas em 5 de março o documentário “Jards Macalé – um morcego na porta principal”, que mostra a trajetória do compositor, violonista e arranjador muito admirado pela classe artística. Dirigido por Marco Abujamra e codirigido por João Pimentel, o filme foi vencedor do prêmio Especial do Júri no Festival do Rio de 2008 e ganhou o Prêmio de Voto Popular do Festival In Edit 2009. Além disso, foi exibido nos Festivais de Paris, Barcelona, México e Argentina.
Entre imagens em Super-8 feitas por Macalé na década de 70 e um show de voz e violão, estão cerca de 50 depoimentos de pessoas como Nelson Pereira dos Santos, Gilberto Gil, Luiz Melodia, José Celso Martinez Corrêa, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros. Autor de “Vapor barato” e “Movimento dos barcos”, Macalé foi o parceiro principal de Waly Salomão, violonista e arranjador de Gal Costa e Caetano Veloso, ator e autor de trilhas de Nelson Pereira dos Santos e amigo de Lygia Clark e Hélio Oiticica.
Dirigindo o seu primeiro longa-metragem, Marco Abujamra, que já fez inúmeros trabalhos no teatro e dirigiu o curta “A Sauna”, diz que partiu para a telona porque o cinema parecia mais desafiador e promissor em determinado momento de sua vida: “É o meu primeiro longa, mas não posso me considerar um iniciante. Comecei tarde a fazer cinema, mas levei toda a bagagem que aprendi na música e no teatro. No fundo, tudo se resume a tentar contar bem uma história”.
Abujamra conta que sempre gostou da música e da história de Macalé e a ideia de fazer um documentário sobre o compositor surgiu no momento em que mais se identificava com a sua história: “A identificação era muito grande porque vivia um momento bastante parecido com a trajetória dele: um artista que sofria dificuldades para fazer sua arte sem comprometimentos mercadológicos, sem puxação de saco, sem palhaçada”. Do início ao fim do projeto, o diretor enfrentou diversas dificuldades principalmente por falta de patrocínio. O filme demorou seis anos para ficar pronto. Como se não bastasse, Macalé interrompeu as filmagens no meio, o que fez o roteiro ir por água abaixo: “Nesse momento fiquei perdido, com um monte de entrevistas, sem roteiro e quase sem imagens. A frase “’Onde é que eu fui me meter?’ não me saía da cabeça”, diz.
Foi aí que veio a solução. Marco assistiu um DVD com Wally Salomão recitando os poemas de Macalé e perdeu o medo de arriscar. A estrutura passou a ser a contestação. Por isso, tudo o que entrou no documentário tem uma forte carga de conflito, explícito ou implícito: “Foi um processo bastante complexo, mas acho que o resultado final foi bacana, louco, mas sem ser chato ou hermético. É também um filme com muito humor, uma comédia, até, e isso é puro Macalé”.
Marco Abujamra já está repleto de novos projetos. Ele acabou de filmar recentemente um filme sobre trabalho escravo contemporâneo no Brasil. Além disso, escreveu um roteiro de uma ficção científica no Rio de Janeiro , que foi comprado pela Bananeira Filmes e pela O2. No momento, está terminando um roteiro sobre um rapaz que se suicida pela internet. E para terminar, Marco e a sócia Mariana Marinho estão produzindo documentários sobre Mario Filho e Mario Lago, que serão lançados ainda este ano.
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