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Filmes

26-08-2010 ////////

Cinco Vezes Favela

Filme estreia nesta sexta-feira nos cinemas

A Retomada do cinema nacional, a partir de meados da década de 90, consagrou o favela movie como sinônimo de sucesso nas telas. Produções como “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens” mostraram com competência a crua realidade de violência nas comunidades nas comunidades carentes brasileiras. Era o olhar do asfalto sobre as favelas. Faltava mostrar o que não aparece nos jornais: a alegria e a opinião dos moradores do morro. É essa a lacuna que “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”, a partir de hoje nos cinemas, pretende preencher (veja o trailer).

O filme é composto por cinco curtas concebidos em oficinas realizadas em favelas cariocas que tiveram entre os palestrantes craques do cinema nacional como Nelson Pereira dos Santos, Walter Salles, Daniel Filho, João Moreira Salles e Fernando Meirelles. Delas, saíram os sete diretores e cerca de 200 jovens que trabalharam nas filmagens (leia reportagem sobre as oficinas). O projeto foi conduzido pela produtora Luz Mágica, de Cacá Diegues e Renata Magalhães, em parceria com a Globo Filmes.

O longa foi selecionado para uma mostra especial do Festival de Cannes deste ano, repetindo o feito do filme que o inspirou, “Cinco Vezes Favela” (1962), de Miguel Borges e Joaquim Pedro de Andrade. Chega ao circuito comercial respaldado também pelos sete prêmios conquistados recentemente no Paulínia Festival de Cinema: “É a primeira vez que se faz um filme de favela dando voz a seus moradores. Não é um filme feito do ponto de vista do traficante, da polícia ou do viciado, como já fizemos tantos no Brasil. Mas um filme feito do ponto de vista do morador, que não tem nada a ver com esses três personagens”, conta Cacá, um dos roteiristas da versão de 1962 (leia entrevista do cineasta).

A maioria dos curtas conta histórias repletas de esperança. “Deixa Voar”, de Cadu Barcellos, representante da ONG Observatório de Favelas, narra a aventura de um jovem que precisa buscar uma pipa em uma comunidade vizinha a sua, dominada por uma facção rival do tráfico. Em “Fonte de Renda”, de Manaira Carneiro e Wavá Novais, dos projetos Cidadela e Cinemaneiro, um jovem vende drogas aos amigos da faculdade para comprar os livros indicados pelos professores com o dinheiro arrecadado.

Outros dois curtas contam histórias bem-humoradas. Dirigido por Rodrigo Felha e Cacau Amaral, alunos do curso da Central Única das Favelas, “Arroz com Feijão” mostra a história de um menino que tenta arranjar R$ 5 para dar um frango de presente de aniversário ao pai. Já “Acende a Luz”, de Luciana Bezerra, do Nós do Morro, transforma um funcionário de empresa de energia elétrica em herói do morro na noite de Natal. A tensão social provocada pela violência surge apenas em “Concerto para Violino”, de Luciano Vidigal, formado pelo AfroReggae. No curta, três amigos de infância veem seu juramento de amizade ameaçado quando Jota entra para o tráfico e Ademir, para a polícia. O iminente confronto põe em risco a promissora carreira de Márcia como violinista.

Trilha sonora tem reggae de MV Bill e hits populares bem humorados.

Ator premiado pelo filme foi canhoneiro do quadro A Ponte do Rio que Cai, do Domingão do Faustão.

Atriz passou por situação semelhante à da sua personagem em "5 x Favela".

Conheça os sete diretores do filme em vídeo exclusivo.
 

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